Tema Tema

Construção da Barragem do Baixo-Sabor
Construção da Barragem do Baixo-Sabor

2014.05.28

A construção da Barragem do Baixo Sabor faz parte do Plano Nacional de Barragens criado nos primeiros anos do século XXI e tem como principais objetivos, por um lado assegurar uma significativa reserva de água a montante das barragens do rio Douro e por outro produzir energia limpa e reduzir as emissões de CO2 do país. Está em causa elevar o aproveitamento hidrológico para 70% das capacidades do País e aumentar a capacidade hídrica em 57% no mercado ibérico.

A aposta na construção de novas barragens é fundamental para diminuir as dependências de Portugal em matéria energética e garantir a autonomia. O empreendimento da construção iniciou-se em 2008 e prevê-se que esteja concluído em 2014, é constituído por dois escalões, ou seja, por duas barragens designadas de jusante e montante. A parede da barragem de jusante situa-se na freguesia de Torre de Moncorvo do mesmo concelho, a outra está no mesmo concelho de Torre de Moncorvo mas nas freguesias da Adeganha e do Larinho. A albufeira criada pelo escalão de montante estende-se ao longo de 60 km, desde a zona da barragem até cerca de 5,6 km a jusante da confluência do rio Maçãs com o rio Sabor, ocupando áreas dos concelhos de Torre de Moncorvo, Alfândega da Fé, Mogadouro e Macedo de Cavaleiros.

A albufeira criada pelo escalão de Jusante, com uma extensão de cerca de 9,6 km, ficará compreendida entre as duas barragens, localizando-se no concelho de Torre de Moncorvo. Dos quatro concelho falados nem todas as freguesias são afetadas, em Torre de Moncorvo são afetadas pelas duas barragens as seguintes freguesias: Adeganha, Cardanha, Torre de Moncorvo, Larinho, Felgar e Souto da Velha; em Alfândega da Fé são afetadas as freguesias da Ferradosa, Cerejais, Parada, Sendim da Ribeira, Vilar Chão e Alfândega da Fé; no concelho de Macedo de Cavaleiros são só afetadas duas freguesias, Lagoa e Talhas. Finalmente no concelho de Mogadouro são afetadas as freguesias de Meirinhos, Valverde, Paradela, Brunhoso, Remondes e Castro Vicente.

O Início da obra ocorreu em Junho de 2008 e prevê-se a entrada em serviço em Agosto de 2014, é a Energias de Portugal (EDP) a dona da obra sendo que a empresa responsável pela sua construção foi o consórcio constituído pelas empresas Bento Pedroso e Lena. Teve um máximo de trabalhadores em 2011 de 1675 pessoas. Em termos técnicos vai ter um armazenamento útil de 630 x 10 e 6 m3 de água, uma potência de 172 MW de produção energética, uma produção média anual de 460 GWh de energia. Teve um investimento de 625,3 milhões de euros em 2013. Para além disso, vai ficar submerso o santuário do Santo Antão da Barca e a capela de S. Lourenço em Silhades na freguesia do Felgar, por isso vão ser transladados para uma cota superior bem acima do nível das águas da albufeira, em locais construídos de raiz para esse fim.

Segundo as informações recolhidas através do Antropólogo, Valdemar Pinho, afetando da maneira como vai afetar a área de impacto da barragem a todos os níveis, quer seja ambiental e ecológico, social ou cultural, são vários os programas que estão em curso para minimizar o choque desta obra. Assim, foram elaboradas Medidas de compensação e minimização ambiental, nomeadamente o Plano de Monitorização do Ambiente e o Plano de Monitorização do Património.

No que respeita ao Plano de Monitorização do Ambiente, a Energia Distribuição de Portugal (EDP) teve e tem a decorrer vários Planos de Monitorização em curso, são eles: o Programa de Monitorização do Ruído; da Qualidade do Ar; da Qualidade da Água; dos Ecossistemas Aquáticos; da Flora, Vegetação e Habitats; da Fauna; da Socioeconomia; do Ordenamento do Território e Uso do Solo; da Paisagem e da Gestão de Resíduos.

Relativamente ao Plano de Monitorização do Património, de forma a garantir a preservação do património cultural, estão a ser implementadas medidas de minimização de carater geral e específico, que visam diminuir os efeitos negativos provocados pela construção e exploração do aproveitamento.

Foram elaborados documentos orientadores e aglutinadores de todos os trabalhos a realizar nas diversas vertentes e distintas cronologias dado que o património cultural integra não somente o conjunto de bens materiais e imateriais de interesse cultural pertinente, como também os respetivos contextos que, pelo seu valor testemunhal, possuam com aqueles uma relação interpretativa e informativa.

No âmbito do acompanhamento arqueológico das obras foram identificadas cerca de 100 novas Ocorrências Patrimoniais, na zona envolvente do Escalão de Montante. O Plano de Salvaguarda do Património é revisto periodicamente com base nos resultados obtidos, adequando-se às exigências das autoridades competentes.